{"id":5056,"date":"2020-01-03T06:00:27","date_gmt":"2020-01-03T09:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/yogaencantada.org\/yogaintegrativa\/?p=5056"},"modified":"2020-12-28T11:44:22","modified_gmt":"2020-12-28T14:44:22","slug":"filosofia-samkhya-para-criancas-de-todas-as-idades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/yogaencantada.org\/yogaintegrativa\/filosofia-samkhya-para-criancas-de-todas-as-idades\/","title":{"rendered":"Filosofia Samkhya para Crian\u00e7as de Todas as Idades"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-5058 size-full\" src=\"https:\/\/yogaencantada.org\/yogaintegrativa\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-alex-andrews-816608.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"598\" srcset=\"https:\/\/yogaencantada.org\/yogaintegrativa\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-alex-andrews-816608.jpg 900w, https:\/\/yogaencantada.org\/yogaintegrativa\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-alex-andrews-816608-600x399.jpg 600w, https:\/\/yogaencantada.org\/yogaintegrativa\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-alex-andrews-816608-300x199.jpg 300w, https:\/\/yogaencantada.org\/yogaintegrativa\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-alex-andrews-816608-768x510.jpg 768w, https:\/\/yogaencantada.org\/yogaintegrativa\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-alex-andrews-816608-705x468.jpg 705w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p><i>Por Joseph Le Page<\/i><\/p>\n<p>Era uma vez um planeta chamado Purusha. Pode-se dizer que Purusha era um lugar perfeito onde todos viviam felizes. L\u00e1 n\u00e3o havia tempo nem espa\u00e7o e todos os habitantes sentiam-se absolutamente completos. O \u00fanico problema do Planeta Purusha era que l\u00e1 n\u00e3o havia espelho algum e sem espelhos, os habitantes desse planeta n\u00e3o podiam ver a si mesmos e nem conhecer a si mesmos, porque em Purusha n\u00e3o havia a no\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o um do \u201coutro\u201d.<\/p>\n<p>Um dia, os habitantes do Planeta Purusha ouviram falar de um planeta distante chamado Prakriti, onde era poss\u00edvel conhecer a si mesmo em um mundo de dualidade, vivendo como um ser individual, cada um com sua pr\u00f3pria identidade.<\/p>\n<p>Este mundo de dualidade poderia ser percebido atrav\u00e9s dos cinco sentidos: audi\u00e7\u00e3o, tato, vis\u00e3o, paladar e olfato. Ao visitar Prakriti, os cidad\u00e3os de Purusha poderiam continuar sentindo toda paz e alegria, e ao mesmo tempo tamb\u00e9m conhecer a si mesmos. Ap\u00f3s essa jornada de investiga\u00e7\u00e3o e aprendizagem, retornariam para casa mais conscientes de sua identidade real \u2013 cidad\u00e3os do Planeta Purusha.<\/p>\n<p>Para viajar para o Planeta Prakriti, o povo de Purusha precisava de aeronaves especiais que pudessem resistir \u00e0 atmosfera de Prakriti. Ent\u00e3o, constru\u00edram aeronaves dos mesmos cinco elementos que compunham o Planeta Prakriti: terra, \u00e1gua, fogo, ar e espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Cada aeronave foi constru\u00edda artesanalmente com caracter\u00edsticas particulares que seguiam tr\u00eas modelos b\u00e1sicos: Vata, Pitta e Kapha.<\/p>\n<p>As aeronaves Kapha eram densas e s\u00f3lidas; as aeronaves Pitta eram possantes e perfeitas; e as aeronaves Vata eram leves e r\u00e1pidas.<\/p>\n<p>Cada aeronave era constitu\u00edda de tr\u00eas componentes b\u00e1sicos: a estrutura da nave em si chamava-se corpo f\u00edsico, o piloto respons\u00e1vel por dirigir a nave chamava-se mente e o passageiro principal chamava-se alma, o esp\u00edrito que leva consigo a ess\u00eancia da felicidade e completude do Planeta Purusha.<\/p>\n<p>A ida para o Planeta Prakriti e a volta para Planeta Purusha seria poss\u00edvel somente atrav\u00e9s da integra\u00e7\u00e3o completa de Corpo, Mente e Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Antes de sair para a jornada ao Planeta Prakriti, os habitantes do Planeta Purusha instalaram uma potente antena transmissora para que eles pudessem sempre manter contato com seu Planeta. Essa antena chamava-se Mahat, que significa \u201co Grande\u201d. Cada aeronave tinha tamb\u00e9m um computador de bordo superinteligente, chamado Buddhi, que quer dizer &#8220;intelig\u00eancia suprema&#8221; para garantir que o piloto da nave sempre tivesse em contato com o Planeta Purusha.<\/p>\n<p>Todas as aeronaves partiram de Purusha ao mesmo tempo, mas cada uma teve sua trajet\u00f3ria \u00fanica. As aeronaves Kapha, pesadas e lentas, seguiram a viagem em um ritmo constante. As aeronaves Pitta, concebidas para ter um desempenho perfeito, \u00e0s vezes perdiam tempo em detalhes desnecess\u00e1rios. As aeronaves Vata fizeram a viagem mais emocionante, explorando diferentes universos e planetas, mas muitas vezes esqueciam onde tinham deixado as chaves e perdiam muito tempo procurando. Mas no fim da viagem, todas as aeronaves chegaram ao Planeta Prakriti ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Ao se aproximarem de Prakriti, os pilotos prepararam os equipamentos e as ferramentas necess\u00e1rias para a t\u00e3o esperada temporada de explora\u00e7\u00e3o. Um conjunto de equipamentos chamado de jnanaendriyas servia para receber informa\u00e7\u00f5es no Planeta Prakriti. Jnanaendriyas quer dizer &#8220;ferramentas para obter conhecimento&#8221; no idioma do Planeta Purusha, chamado s\u00e2nscrito. Os jnanaendriyas constituem os cinco sentidos: audi\u00e7\u00e3o, vis\u00e3o, olfato, paladar e tato. Havia tamb\u00e9m equipamentos chamados de karmendriyas, que permitiam que cidad\u00e3os de Purusha pudessem executar a\u00e7\u00f5es no Planeta Prakriti, tais como falar, se movimentar, pegar objetos, eliminar res\u00edduos da nave, e at\u00e9 mesmo procriar novas \u201cnaves-beb\u00eas\u201d. Com todos estes equipamentos, nada poderia atrapalhar a viagem de investiga\u00e7\u00e3o e autoconhecimento no Planeta Prakriti.<\/p>\n<p>Ao chegarem na atmosfera do Planeta Prakriti, as naves atravessaram uma s\u00e9rie de tempestades inesperadas, repletas de turbul\u00eancia, chamadas tempestades rajas, que quer dizer &#8220;forte turbul\u00eancia&#8221;. Tamb\u00e9m atravessaram intervalos de calmaria, chamados tamas, onde nada se movia. Esses ciclos de rajas e tamas eram intercalados com breves momentos de equil\u00edbrio perfeito chamados Sattva, quando a viagem flu\u00eda bem, sem qualquer esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Todas as aeronaves finalmente aterrissaram no Planeta Prakriti, mas a viagem foi muito estressante. A maioria dos pilotos ficou com amn\u00e9sia cr\u00f4nica, esquecendo sua miss\u00e3o original de explora\u00e7\u00e3o e autoconhecimento. Esses pilotos ficaram deslumbrados com as experi\u00eancias do Planeta Prakriti, n\u00e3o mais se lembrando de sua identidade original como cidad\u00e3os do Planeta Pususha. Os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o inteligentes, buddhis, ficaram enferrujados por falta de uso, e sem buddhi funcionando adequadamente, os pilotos perderam contato com a Grande Antena Mahat, e consequentemente com o Planeta Purusha.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, os cidad\u00e3os de Purusha passaram a acreditar que eram cidad\u00e3os do Planeta Prakriti, com personalidades pr\u00f3prias. Passaram a pensar que estavam em Prakriti apenas para desfrutar das vitrines dos diversos shoppings, andando em c\u00edrculos, consumindo combust\u00edvel e reproduzindo navezinhas. Esta condi\u00e7\u00e3o de amn\u00e9sia se chamava de avidya e este c\u00edrculo vicioso de avidya denominava-se samsara.<\/p>\n<p>No entanto, alguns poucos pilotos continuavam se lembrando da sua verdadeira cidadania e miss\u00e3o. Eles eram chamados de Rishis ou videntes e tinham a capacidade de ajudar os pilotos-esquecidos a sa\u00edrem do padr\u00e3o de tr\u00e1fego circular do Planeta Prakriti e voltarem a se reconhecer como cidad\u00e3os do Planeta Purusha. Aqueles que decidiram retornar \u00e0 sua identidade original precisavam primeiro consertar suas naves devido ao estresse cr\u00f4nico que sofreram com o uso excessivo dos jnanaendriyas e karmendriyas.<\/p>\n<p>Os reparos eram realizados em oficinas que utilizavam uma ci\u00eancia chamada Ayurveda, especializada em reequilibrar os cinco elementos, mat\u00e9ria-prima das naves. \u00c0s vezes, os sistemas das naves estavam t\u00e3o entupidos e desequilibrados que tinham que passar por um servi\u00e7o de limpeza completo chamado Panchakarma. Depois das naves terem passado por esse tratamento completo, sentiram a necessidade de ter em m\u00e3os um manual de instru\u00e7\u00f5es que os guiasse no caminho de volta \u00e0 Purusha. Um dos mais conhecidos e eficientes manuais de retorno foi aquele compilado por um s\u00e1bio chamado Patanjali. O nome do manual chamava-se Ashtanga Yoga, um manual que continha os Oito Passos de retorno \u00e0 Purusha, descritos a seguir:<\/p>\n<p>Os dois primeiros passos, Yama e Niyama, descreviam como os pilotos deveriam se comportar na viagem de volta.<\/p>\n<p>O terceiro passo, chamado Asana, era necess\u00e1rio para assegurar que as estruturas das aeronaves permaneceriam est\u00e1veis e firmes para que a viagem fosse confort\u00e1vel e segura.<\/p>\n<p>O quarto passo, Pranayama, dava as instru\u00e7\u00f5es sobre o adequado abastecimento e distribui\u00e7\u00e3o de energia durante a viagem.<\/p>\n<p>O quinto passo, Pratyahara, consistia em remover a aten\u00e7\u00e3o dos pilotos de todas as distra\u00e7\u00f5es do Planeta Prakriti, para que pudessem se concentrar na miss\u00e3o de volta ao Planeta Purusha.<\/p>\n<p>O sexto passo, Dharana, estabelecia uma dire\u00e7\u00e3o certa e cont\u00ednua, rumo ao Planeta Purusha.<\/p>\n<p>O s\u00e9timo passo, Dhyana ou medita\u00e7\u00e3o, descrevia um estado ideal de voo no qual todos os sistemas das naves (corpo, mente e esp\u00edrito) estariam funcionando de forma integrada, guiados por Buddhi, em contato constante com Mahat, mantendo de forma cont\u00ednua uma comunica\u00e7\u00e3o clara com Purusha.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s deste Manual dos Oito Passos de Patanjali, muitas naves puderam voltar para casa, e quando chegaram, reassumiram sua verdadeira identidade como cidad\u00e3os do Planeta Purusha, retornando para um estado de perfeita uni\u00e3o, chamado Samadhi, o \u00faltimo passo.<\/p>\n<p>Ao voltarem, no entanto, os cidad\u00e3os de Purusha j\u00e1 n\u00e3o eram mais os mesmos de quando haviam partido. Agora, esses cidad\u00e3os de Purusha possu\u00edam a experi\u00eancia do espelho do autoconhecimento. Eles conheceram o Planeta Prakriti, o mundo da dualidade, e ent\u00e3o, retornando ao Planeta Purusha, tornaram-se plenamente conscientes de sua natureza intr\u00ednseca de paz e completude.<\/p>\n<p>O aprendizado mais profundo dessa viagem, que \u00e9 a jornada de todos aqueles que trilham o caminho do Yoga, \u00e9 que Purusha e Prakriti s\u00e3o na realidade, um s\u00f3 planeta, e que n\u00f3s podemos viver a vida em estado de Purusha em meio ao mundo de Prakriti.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Joseph Le Page Era uma vez um planeta chamado Purusha. Pode-se dizer que Purusha era um lugar perfeito onde todos viviam felizes. L\u00e1 n\u00e3o havia tempo nem espa\u00e7o e todos os habitantes sentiam-se absolutamente completos. 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